O presente é Digital o futuro é Eficiente.

Há pelo menos duas décadas, vivemos a transformação digital. Por mais que Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT) seja um termo da atualidade, vale lembrar que o avanço do digital – cada vez mais presente em todos os setores da sociedade - começou no fim da década de 1990, período no qual surgiu a grande rede de computadores, que, com o advento das mídias sociais e aplicativos de conversação, tornou-se uma rede de pessoas.

Quase 10 anos depois, em 2009, outro acontecimento foi fundamental para chegarmos ao cenário que temos atualmente – a inserção do GPS (Global Positioning System) nos dispositivos. A partir desse fato, a rede passou a ser mais do que de pessoas; tornou-se de coisas. E com a conexão e troca de informações, ela evoluiu, resultando no que conhecemos como IoT. Todo esse ciclo possibilitou não só um avanço social, mas também fabril – culminando, então, na Indústria 4.0.

Também conhecida como 4ª Revolução Industrial, Manufatura Avançada ou IIoT (Industrial Internet of Things), essa nova forma de produção define-se diante de um único conceito: a digitalização dos processos industriais, que permite a comunicação entre máquinas e inteligência, resultando em análises precisas e aumento da eficiência para toda a cadeia de produção e sustentabilidade do negócio. Sua estrutura é composta por tecnologias que envolvem a conexão entre maquinário, no chão de fábrica, e processos fabris, interligando-os a sensores, hardwares de controle e softwares.

Desafio local

O modelo ganhou força global de 2010 em diante, mas, no Brasil, pode-se dizer que ainda é algo recente. Tem aproximadamente cinco anos que a IIoT vem sendo estudada e aplicada por aqui. As indústrias mais pesadas, como petróleo, celulose e química, são pioneiras e utilizam esse tipo de tecnologia há algum tempo. Prova disso é uma recente pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que revelou, entre 2016 e 2018, um aumento significativo do número de fábricas que aderiram ao uso de tecnologias digitais, consideradas pertencentes à IIoT, passando de 63% para 73% em grandes companhias – enquanto pequenas e médias empresas permanecem distantes dessa realidade.

Para vencer esse desafio e abrir o mercado, de modo que todos possam entrar na Indústria 4.0, é preciso trabalhar com uma agenda única, que atenda e oriente desde o pequeno empresário até os grandes conglomerados fabris. Além disso, é necessário entender o quanto estar inserido nesse contexto é garantia de continuidade e de sobrevivência de um negócio.

Quem ainda não aderiu à Indústria 4.0 precisa se planejar. A estratégia funciona mais ou menos como um mapa. Costumo dar o exemplo do aplicativo de rotas. Estabeleço onde estou e aonde quero chegar. Mas, às vezes, o trajeto muda no meio do caminho para que se possa obter o melhor resultado. Conforme as empresas forem estudando o que já têm hoje e fazendo seu plano de investimento, terão uma resposta lá na frente. E ao contrário do que muitos imaginam, não é preciso um grande investimento logo de início para ser digital. Você pode começar com modernizações da infraestrutura, até ter o aporte necessário para um próximo passo.

Schneider Electric e a IIoT

Com mais de 180 anos de existência (71 deles só no Brasil), a Schneider Electric, líder global na transformação digital em gestão da energia elétrica e automação, está mais do que pronta para contribuir com o avanço da Indústria 4.0 no país. Como uma das pioneiras na adesão ao digital, fomos os criadores do PLC (controlador lógico programável) e temos inovação de forma sustentável como parte do nosso core business e de todas nossas outras iniciativas. Permitir que nossos clientes, dessa forma, façam parte da IIoT é nosso papel.

Pensando nisso, a grande aposta da Schneider para a Manufatura Avançada é o EcoStruxure – plataforma aberta, confiável e pronta para IoT que reflete bem o entendimento da empresa em relação às exigências atuais do mercado. Essa tecnologia atende à necessidade de automação e conectividade entre as máquinas e os dispositivos móveis, permitindo o acesso remoto, otimizando o desempenho e aumentando a eficiência da operação, a melhor gestão de processos e a agilidade na tomada de decisões. Seu uso permite produzir mais com menos e otimizar recursos, fortalecendo os negócios dos nossos clientes e parceiros e reforçando sua atuação de forma sustentável.

Exemplos locais

Nós acreditamos na Indústria 4.0, e, no Brasil, há muito espaço para seu crescimento. Trabalhos que já realizamos com alguns clientes e parceiros, localmente, são exemplos que reforçam essa convicção. Por meio das soluções EcoStruxure Hybrid DCS (sistema de automação único para engenharia e operação da planta), Wonderware InBatch (para construção e controle de processos produtivos em lotes ou bateladas) e Wonderware Historian (para construção e visualização dos relatórios de produção, com dados históricos), contribuímos para que uma das principais empresas de cosméticos do país aderisse à automação industrial. Hoje, o complexo fabril trabalha com um sistema integrado e, por conta da padronização, tem facilidade, agilidade e flexibilidade para incluir novos equipamentos, em caso de futuras expansões, e para detectar possíveis falhas, garantindo a rastreabilidade de alterações.


Já para uma rede de distribuição de energia, oferecemos, dentro da plataforma EcoStruxure Grid, a solução self-healing, que isola o trecho com problema, reconectando-o a outro circuito (é como se a rede se curasse sozinha; daí o termo “self-healing”). Por meio da IoT, os equipamentos se comunicam com a central e coletam dados sobre o comportamento dos disjuntores de saída dos alimentadores das subestações. Assim, o tempo de atuação para reparo de rede fica cada vez menor. A inovação viabiliza tomadas de decisão mais rápidas e eficientes, o que contribui com os indicadores de qualidade atribuídos pela Aneel (DEC/FEC).

E no setor de tecnologia da informação, fornecemos para um grande data center de uma empresa do setor de alimentos e bebidas um software de monitoramento, que garante a proteção de equipamentos de TI críticos contra ameaças físicas, riscos ambientais (temperatura) ou erros humanos que possam prejudicar ou interromper as operações. O sistema funciona remotamente, com alertas proativos e sensores que conseguem captar desde presença não autorizada no local do maquinário, até umidade, entre outros aspectos. Assim, o cliente passou a ter menor tempo de parada e maior visibilidade da operação, entendendo em quais ações é possível potencializar o desempenho da infraestrutura.

Além disso, na década de 70, fomos os responsáveis pela instalação do primeiro PLC em uma das maiores mineradoras do país e mais adiante, na década de 90, fomos nós que implementamos o primeiro CCM (quadro de comando) inteligente em ethernet no mercado nacional, entre outros feitos.

Sustentabilidade

Seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, nosso portfólio de soluções para a Indústria 4.0 permite aos nossos clientes endereçar os desafios de eficiência, competitividade, produtividade e segurança, posicionando-os em um ambiente de negócios sustentável e de baixo carbono. E no contexto de Manufatura Avançada, o ser sustentável importa tanto quanto o ser digital – isso porque, com o avanço da IoT, esbarramos em um dilema energético. Segundo a consultoria Gartner, até 2020, o número de dispositivos conectados em todo o mundo chegará a 20,4 bilhões. E quanto mais coisas conectadas, maior é o consumo de energia, resultando em uma maior emissão de carbono.

Pensando nisso, a Schneider Electric cria soluções para um problema real. Temos o plano: 40 anos, x1,5 consumo de energia, ÷2 emissões de CO2, x3 eficiência. Ou seja, nos próximos 40 anos, o consumo de energia crescerá drasticamente, mas é crucial reduzir pela metade as emissões de gases do efeito estufa. Caso contrário, será impossível manter o aquecimento global abaixo de 2ºC e gerir a poluição em um nível suportável. Para dar conta de um futuro que se vislumbra extremamente agressivo, temos que diminuir nossa intensidade de carbono e melhorar nossa eficiência em três vezes. Eficiência é palavra-chave para as empresas, para as pessoas, para o planeta. Na Schneider, a plataforma EcoStruxure é a expressão máxima desse propósito.


Cristiano dos Anjos é vice-presidente de Indústria da Schneider Electric Brasil 
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